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Veja como a meditação transcendental pode contribuir para resolução do burnout

Estados Unidos – Tal como os socorristas, os profissionais da saúde que trabalham em serviços de pneumologia e terapia intensiva sofreram um forte impacto na pandemia da covid-19. Não é de se admirar que uma grande quantidade tenha apresentado burnout.

“Antes da pandemia, 50% dos profissionais relataram burnout, o que, evidentemente, foi exacerbado; pesquisas recentes mostram que até 80% dos profissionais da saúde referem burnout“, disse a médica Dra. Sangeeta Joshi, da divisão de pneumologia, alergologia e terapia intensiva da Duke University, nos Estados Unidos.

Em um ensaio clínico randomizado, Dra. Sangeeta e colegas mostram que, em comparação com outras intervenções, a meditação transcendental pode melhorar significativamente os sintomas do burnout (p. ex., exaustão emocional, ansiedade e insônia). Em relação ao sofrimento psíquico agudo, no entanto, a estratégia não surtiu efeito significativo.

A Dra. Sangeeta apresentou os resultados do ensaio clínico na edição de 2022 do congresso internacional da American Thoracic Society (ATS).

Intervenção mente-corpo 

A meditação transcendental, popularizada nos anos 60 pelos Beatles e o guru do grupo, Maharishi Mahesh Yogi, é uma intervenção mente-corpo não farmacológica que demonstrou reduzir a estimulação simpática e promover um estado de relaxamento, disse a Dra. Sangeeta.

Apesar de o mecanismo de ação não ser totalmente compreendido, explicações propostas para a eficácia da estratégia incluem o aumento da coerência alfa, visto no eletroencefalograma, e aumentos no fluxo sanguíneo para o córtex pré-frontal, visualizados na ressonância magnética funcional.

Já foi demonstrado que a meditação transcendental é efetiva na redução dos sintomas do transtorno de estresse pós-traumático em veteranos [de guerra] e na redução de sintomas de estresse e burnout em professores, observou a Dra. Sangeeta.

Ensaio randomizado 

Para verificar se a meditação transcendental pode fazer alguma diferença para profissionais de saúde, a Dra. Sangeeta e seus colegas usaram a Columbia-Suicide Severity Rating Scale e a reatividade autonômica digital, uma avaliação da intensidade do estímulo fisiológico, para rastrear os candidatos para burnout.

O estudo incluiu 80 participantes elegíveis, que foram aleatoriamente designados para realizar a meditação transcendental ou receber o tratamento convencional.

Os participantes no primeiro grupo foram orientados a comparecer a quatro sessões de introdução à meditação transcendental durante quatro dias consecutivos e então a quatro sessões virtuais de acompanhamento realizadas ao longo de três meses. Os pesquisadores supuseram que, ao comparar com os resultados dos participantes no grupo do tratamento convencional, a melhora nos sintomas de burnout em relação ao início do estudo seria bem mais significativa no grupo da meditação. Os participantes foram orientados a meditar em casa por 20 minutos duas vezes por dia.

Os seguintes questionários foram utilizados para avaliar os sintomas dos pacientes ao início do estudo e três meses depois: Brief Symptom Inventory–18 (BSI), Maslach Burnout Inventory (MBI), Patient Health Questionnaire–9 (PHQ-9), Generalized Anxiety Disorder–7, Insomnia Severity Index (ISI) e Connor Davidson Resilience Scale (CD-RISC)–25.

Ao início do estudo, 70% de todos os participantes referiram história de consulta psiquiátrica ou com outro profissional de saúde mental; 91% relataram deflagração de alguma doença psiquiátrica. Apenas 30% relataram história de doença psiquiátrica resolvida com tratamento.

Após três meses, houve melhoras significativas em relação ao início do estudo no grupo da meditação transcendental versus tratamento convencional nos itens de exaustão emocional (P = 0,005), insônia (P = 0,029) e ansiedade (P = 0,010) do MBI. Houve uma tendência de significância no PHQ-9 (P = 0,057), sem diferença significativa no Global Severity Index (que representa o escore total dos itens do BSI).

Os pacientes nos dois braços do estudo apresentaram melhora da realização profissional tanto no MBI quanto na escala CD-RISC, porém, as diferenças entre os grupos não foram significativas.

Os resultados mostraram que “a meditação transcendental é uma intervenção viável e eficaz para profissionais de saúde, especialmente durante uma pandemia”, disse a Dra. Sangeeta.

Os próximos estudos da meditação transcendental nesse contexto devem ter mais participantes e locais de recrutamento de modo a obter o poder estatístico necessário para detectar mudanças estatisticamente significativas nas escalas numéricas, ela disse.

Integrando a meditação transcendental ao bem-estar do funcionário 

“Esses resultados são realmente animadores”, comentou o médico Dr. Seppo Rinne, Ph.D., professor assistente de medicina na Boston University School of Medicine, nos Estados Unidos, que foi um dos moderadores da apresentação oral do Abstract na qual os dados foram divulgados, mas que não participou do estudo.

Comentando sobre o fato de a meditação transcendental não ser amplamente oferecida como parte de um pacote de serviços para o tratamento de funcionários com sintomas de burnout, ele observou que “na literatura sobre burnout, temos uma tendência a dicotomizar as intervenções individuais versus as organizacionais, e a realidade é que são provavelmente integradas, e não é muito útil pensarmos sobre elas como totalmente separadas”.

“Precisamos de intervenções organizacionais que apoiem o bem-estar individual”, ele disse.

O estudo foi patrocinado pela Duke University. A Dra. Sangeeta e o Dr. Seppo informaram não possuir conflitos de interesses.

American Thoracic Society (ATS) 2022 International Conference Abstract A3690. Apresentado em 17 de maio de 2022.

Neil Osterweil, jornalista médico premiado, é um colaborador de longa data e frequente do Medscape.

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