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As lembranças do meu Pai reunem momentos inesquecíveis e marcantes dessa filha que sempre o venerou e amou com muita intensidade e carinho.

Lembrar do meu Pai é revê-lo em um terno escuro com gravata, com seu chapéu preto, mãos sempre calejadas e a pele muito queimada das longas jornadas ao sol. Estilo único de um trabalhador responsável.

Lembrar do meu Pai é sentir o seu abraço apertado, ouvindo o chiado estranho de seus pulmões e sentindo aquele cheiro forte de nicotina que ele mesmo enfatizava ser um veneno à saúde. Como realmente foi para a dele, infelizmente.

Lembrar do meu Pai é recordar o brilho intenso de seus pequenos olhos verdes que não eram alegres, mas que eram de uma vivacidade sem limites. Diziam tudo.

Lembrar de meu Pai é despertar-me com o som da sua voz a pedir que eu me cuidasse e que não acompanhasse estranhos pela rua. Temerosa eu sempre obedeci.

Lembrar do meu Pai é sentir sua mão segurando a minha. Aquelas mãos enormes, ásperas da lida diária, a acariciar as minhas ainda pequenas e frágeis. Era o carinho mais delicado.

Lembrar do meu Pai é reviver de novo a emoção em receber dele aquela boneca dorminhoca azul que por anos e anos enfeitou minha cama, me fazendo pensar nele todo instante. Foi um presente inesquecível.

Lembrar do meu Pai é recordar carinhosamente seu gosto pelo café fraco que ele mesmo coava ao chegar do trabalho, no fim da tarde. Um perfume marcante.

Lembrar de meu Pai é lembrar-me de seu prazer ao fumar seu cigarro sem filtro, sentado na mureta da entrada de nossa casa em companhia das três filhas a brincar. A mais bela e poética cena familiar.

Lembrar do meu Pai é emocionar-me com a sua honestidade, sua bondade e com seu empenho em unir nossa família que, infelizmente, não se manteve unida. O destino às vezes é cruel.

Lembrar do meu Pai é sentir tristeza pelas coisas que eu não fiz, não disse e pelo que não tive chances de demonstrar. O tempo foi ingrato, curto e irrecuperável.

Lembrar do meu Pai é alegrar-me por sua existência em minha vida. Uma experiência rápida, mas eternizada e idolatrada na minha alma.

Lembrar do meu Pai é sentir o orgulho do seu nome que completa o meu, herança única repleta de valores morais e afetivos. João Chiati um nome que respeito e admiro.

Lembrar do meu Pai é reconhecer o homem bom, simples, leal, honesto, trabalhador e que em todos os momentos demonstrou sua dedicação, carinho e abnegação. Fui abençoada por ser sua filha.

Lembrar do meu Pai é remeter-me às minhas raízes, aos meus antepassados e a toda minha história. Boas lembranças me fortalecem.

Lembrar de meu Pai é sentir a sua presença mesmo com a ausência física que muitas vezes entristece. Mas, o trago de volta ao me recordar dele com afeto.

Lembrar de meu Pai é lembrar-me de um ser que, mesmo na quietude e no silêncio, soube transmitir muito. Atitudes disseram  muito mais.

Lembrar-me de meu Pai é reconhecer e valorizar o homem que soube amar. Sem aplausos, sem condecorações e sem objetivos de retribuição ou recompensas. Simplesmente amou.

Lembrar de meu pai é enviar a ele hoje e sempre minha melhor prece: Amor e Gratidão! 

                                                                                                                            Fatima Chiati